Você precisa conhecer esses 5 artistas que fazem tapeçarias inspiradas na natureza 07 Nov 2018


Plantas, algas, fungos e minerais servem como referência para peças que parecem ter vindo de sonhos

Tapeçaria de Vanessa Barragão

Quem chega em casa e deixas os pés (ou até o corpo inteiro) descansarem em um tapete felpudo e macio não imagina o quanto de história esse item carrega. A tapeçaria é uma técnica antiga que se localiza no limiar entre a arte, o design e o artesanato. Durante séculos, tapetes foram responsáveis por contar histórias, guardar a cultura de povos e trazer conforto visual e sensorial para as casas.


Por ser um processo lento que pode levar até meses para se completar, a tapeçaria voltou à tona recentemente com a retomada dos trabalhos artesanais como forma terapêutica e antagônica à evolução tecnológica avançada – mesmo motivo pelo qual as peças feitas de vime voltaram com tudo à moda! Com formas mais soltas e orgânicas, a tapeçaria contemporânea vem conquistando amantes ao redor do mundo. Alguns criativos foram além nesse processo de reconexão com a ancestralidade manual e trouxeram inspiração nas formas da natureza para criar tapeçarias com visual que mimetizam campos, florestas e até fungos! Abaixo, você conhece cinco desses artistas. Prepare-se para se encantar!

 

Alexandra Kehayoglou e suas pradarias de lã



A Alexandra Kehayoglou argentina ficou mundialmente famosa após criar um tapete do tamanho de uma passarela para a marca Dries Van Noten e vitrines oníricas para a Hermés, sempre usando os cenários vegetais dos Pampas e da Patagônia como referência. Suas peças – que incluem tapetes e tapeçarias em pequenas e enormes escalas – são feitas manualmente com os descartes da fábrica de tapetes de sua família em Buenos Aires. Alexandra descreve seus tapetes como portais para memorias, relacionando-se ao passado de seus avós gregos, que faziam tapetes na Turquia. Além de materializar gramíneas e musgos de diversos tons de verde, suas peças também exibem representações de riachos, paisagens e, algumas vezes, animais. Recentemente ela criou uma instalação de 240 m na JUT Foundation, em Taipei e um tapete que recria o rio Santa Cruz, com 10 m comprimento comissionado para a National Gallery of Victoria, na Austrália.

anessa Barragão recria o fundo do mar


A artista portuguesa Vanessa Barragão usa uma infinidade de técnicas que aprendeu em seu passado na indústria da moda para criar, usando fios, paisagens que parecem vir do fundo do oceano. Corais, fungos e algas ganham forma através da tapeçaria, crochê, tecelagem, cestaria e feltragem, todas na mesma peça. Um convite irresistível para os olhos e para o toque!

A inspiração para a criação das peças da artista Lizan Freijsen vem do universo dos fungos e da tentativa frustrada da humanidade em deter as manchas de umidade criadas por eles. Usando tons avermelhados e formas inspiradas em colônias reais, ela cria tapetes e tapeçarias que parecem mofo de verdade.

Norberto Nicola e seus cipós


O artista brasileiro Norberto Nicola (1931-2007) representava raízes, terras, penas, árvores e cipós em suas tapeçarias que são importantes itens de colecionador da arte brasileira. Sempre usando tons quentes que evocam a clima da floresta tropical, usava materiais como lã, seda, linho e estopa, além de incorporar temáticas indígenas em sua obra – ele era um grande colecionador de arte plumária brasileira e costumava atribuir uma dimensão ritualística a suas criações.

eather Collins borda partes de natureza com as mãos


A inglesa Heather Collins usa o bordado e o processo de feltragem para criar pequenas obras de arte inspiradas na vegetação de sua terra natal, o condado de Sussex. Desde as menores até as de grande escala, as peças de Hearther são completamente feitas à mão lentamente, para que a artista tenha o controle de cada detalhe. Suas peças apresentam relevos e proporções que se assemelham muito à realidade, podendo, inclusive, enganar os olhos dos menos atentos.

Fonte: casavogue.globo