Minha Casa Minha Vida pode ampliar participação no mercado imobiliário em 2018 13 Mar 2018


 

 

São Paulo, 02/03/2018 – O Minha Casa Minha Vida (MCMV) deve seguir comandando a recuperação do setor imobiliário em 2018, com potencial para ampliar sua participação no total de lançamentos e vendas. A estimativa é da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), que já constatou um forte crescimento do programa estatal ao longo do ano passado.

A pesquisa da associação com dados consolidados de 2017, antecipada ao Broadcast, mostra que os lançamentos atingiram 82.508 unidades, alta de 18,2% em relação a 2016. O levantamento engloba dados de 20 incorporadoras associadas, com atuação em todas as regiões do País e concentração no Sudeste.

O avanço dos novos projetos foi puxado pelos empreendimentos enquadrados no MCMV, que cresceram 23,2% no ano, totalizando 64.764 unidades. Já os imóveis de médio e alto padrão tiveram um crescimento mais moderado, de 12,5%, atingindo 16.821 unidades.

O avanço mais acelerado fez o MCMV ampliar sua fatia de 75,3% para 78,5% do total de lançamentos do mercado no período.

A mesma situação foi vista na comercialização de imóveis. A pesquisa da Abrainc registrou vendas líquidas (já descontados os distratos) de 74.811 unidades no País em 2017, expansão de 27,1% frente ao ano anterior.

O MCMV respondeu por 57.297 unidades vendidas, alta de 41,0%, enquanto o segmento de médio e alto padrão atingiu 19.503, avanço de 6,8%. Assim, a participação do programa estatal nas vendas totais do mercado subiu de 69,0%para 76,6% no período.

“O que está sustentando o crescimento do mercado, no todo, ainda é o Minha Casa Minha Vida. Para 2018, esperamos que a tendência continue”, avaliou o presidente da Abrainc, Luiz França. Dado o ritmo mais forte de expansão dos projetos dentro do programa estatal e a sua base já avantajada, o MCMV tem potencial para ampliar sua participação no mercado, estimou o representante da associação.

O desempenho mais forte no setor de moradias populares é explicado, em parte, pelo custo de financiamento menor – algo fundamental para um empréstimo que é amortizado em até 30 anos. Dentro do programa, os juros variam entre 7% e 8% ao ano, enquanto a taxa praticada fora do programa começa em torno de 9,5% ao ano.

Além disso, a compra dos imóveis é uma prioridade para a população de baixa renda, que vive em moradias precárias ou tem uma parcela grande do orçamento comprometida com o pagamento do aluguel. “O déficit habitacional está concentrado justamente nesse segmento”, observou o presidente da Abrainc.

França acrescentou que, no setor de médio e alto padrão, a compra é, em geral, menos urgente. Aqui estão pessoas que já têm casa própria ou que não comprometem uma parcela tão grande da renda com os aluguéis. “A efetivação da compra ainda depende de maior confiança dos consumidores e de uma evolução nas quedas da taxa de juros, para tornar o negócio mais atrativo. Os bancos estão demorando para repassar o corte dos juros”, comentou.

Empresas

A atratividade do MCMV tem feito incorporadoras de outros segmentos voltarem seus olhos para o setor popular. A Eztec considera passar a trabalhar de forma recorrente no MCMV caso o mercado de médio e alto padrão – seu foco de atuação – demore a reagir. Em dezembro, a companhia tinha três projetos dentro do programa estatal, frutos do remanejamento de terrenos que estavam destinados a empreendimentos de médio padrão suspensos devido às condições adversas desse setor. “O Minha Casa pode virar um projeto recorrente. Temos outros terrenos que se prestam para isso”, disse o diretor presidente da Eztec, Silvio Zarzur, em reunião recente com investidores.

Após uma revisão em seu mix de produtos, a RNI (antiga Rodobens Negócios Imobiliários) decidiu empreender dentro do MCMV. A previsão é que os primeiros projetos sejam lançados até junho, utilizando terrenos que estavam destinados inicialmente a loteamentos, mas que também encalharam durante a crise.

Além disso, empresários estão confiantes com as metas do MCMV em 2018 anunciadas em fevereiro pelo Ministério das Cidades. O governo federal pretende contratar 650 mil unidades em 2018, alta de 6,5% perante a meta de 610 mil divulgada em 2017.

“Gostei da calibragem feita pelo governo. Vimos um aumento nas metas de contratação para este ano, o que faz sentido, pois a economia brasileira está crescendo”, afirmou o presidente do conselho de administração da MRV, Rubens Menin, em entrevista recente ao Broadcast. A empresa é a maior operadora do programa habitacional e está em fase de ampliação dos seus projetos. “O mercado é capaz de absorver essa meta de contratação”, completou. (Circe Bonatelli – circe.bonatelli@estadao.com)